COMO PODE ESTAR A SITUAÇÃO DO BRASIL NOS PROXIMOS DOIS ANOS (2025-2026) CONSIDERANDO CENARIOS ECONOMICOS, SOCIAIS E POLITICOS

COMO PODE ESTAR A SITUAÇÃO DO BRASIL NOS PROXIMOS DOIS ANOS (2025-2026) CONSIDERANDO CENARIOS ECONOMICOS, SOCIAIS E POLITICOS

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O Brasil, nas últimas décadas, tem enfrentado altos e baixos: crises políticas, instabilidade econômica, inflação, desemprego elevado etc. A conjuntura global — incluindo inflação mundial, taxas de juros internacionais, crises geopolíticas — também exerce forte influência aqui. Atualmente, vivemos um momento de certa estabilidade, com crescimento modesto, redução de desemprego e expectativas de melhoria em alguns setores, mas também com riscos expressivos: fiscal, de inflação, de câmbio, e ligados ao ambiente político. Nos próximos dois anos, portanto, o país poderá consolidar avanços se souber gerenciar esses riscos, mas poderá também sofrer retrocessos caso não haja uma política econômica eficiente, boa gestão pública e consenso político mínimo para reformas.

  1. Economia

Crescimento do PIB: A previsão para 2025 já indica um crescimento em torno de 2,3-2,4% do PIB, segundo dados do Ministério da Fazenda. As estimativas para 2026 mantêm-se altas também, ou descentes, dependendo das políticas adotadas. Caso haja aceleração nos investimentos, melhora na produtividade e ambiente instável favorable, esse crescimento poderá chegar a 2,5-3%, talvez um pouco mais se letais reformas (tributária, regulatória) forem implementadas de forma eficaz.

Inflação e juros: A inflação tende a continuar caindo lentamente, embora sujeita a choques — de câmbio, de alimentos, combustíveis. As previsões para o IPCA apontam para algo em torno de 4,8% em 2025. A taxa básica de juros (Selic) está alta, usada como ferramenta para conter a inflação, e só deve começar a ser reduzida — gradual e cautelosamente — conforme os indicadores de inflação e câmbio demonstrem estabilidade.

Setor agropecuário: Segue sendo um dos pontos fortes da economia brasileira. A safra de grãos, produção de soja e milho, etc., deverão continuar crescendo ou mantendo boas safras, desde que não ocorram grandes adversidades climáticas. Isso contribui positivamente para exportações, saldo comercial e abastecimento doméstico.

Desemprego e mercado de trabalho: Já há sinais de melhora. Dados recentes mostram redução na taxa de desemprego, aumento do emprego formal e aumento da massa de rendimentos. Entretanto, a força desse setor dependerá da estabilidade econômica, dos investimentos públicos e privados, e da capacidade de conter inflação e juros altos, que pressionam custos de produção.

Setor público, dívida e fiscal: Um dos desafios mais relevantes será manter o equilíbrio fiscal. O controle dos gastos públicos, reformas estruturais (tributária, previdenciária, política pública de controle de gastos) será decisivo. Se o Brasil relaxar nessas áreas, poderá haver pressão sobre juros, risco-país e câmbio, o que pode gerar inflação adicional.

  1. Política

Governança e estabilidade institucional: O governo atual já mostra compromisso com diversas pautas sociais, com retomada de programas de assistência, redução da pobreza e fome — há notícias recentes de que o Brasil saiu do mapa da fome da ONU. Esse tipo de resultado tende a reforçar legitimidade, desde que acompanhado de transparência e eficiência.

Polarização e cenário eleitoral: Com eleições se aproximando (em 2026), é provável que a polarização política cresça, tanto no discurso quanto em disputas institucionais. Poderemos ver mais embates no Congresso, pressões por concessões eleitorais, aumento de tensões com setores opositores, etc. A estabilidade política será fator-chave para manter confiança de investidores, inclusive estrangeiros.

Reformas e políticas públicas: Há uma janela de oportunidade para reformas tributárias, de regulação, para simplificação do Estado, melhoria na educação, na saúde e infraestrutura — especialmente mobilizando a agenda ambiental (energia renovável, redução de desmatamento). O sucesso dessas reformas dependerá de articulação política, consenso social e dos recursos públicos disponíveis.

Relações internacionais: O Brasil deverá continuar buscando ampliar comércio exterior, diversificar parceiros, aproveitar oportunidades em mercados que demandam commodities e produzir com valor agregado. Pressões externas (mudanças climáticas, sanções, demanda mundial por energia limpa) também impõem ajustes, especialmente para exportações agrícolas, minerais e de energia.

  1. Riscos e incertezas

Choques externos: Crises internacionais, alta nos juros globais, flutuações de commodities, guerra ou instabilidade geopolítica podem afetar severamente o Brasil — elevando custos de financiamento, reduzindo demanda por exportações, desvalorizando o real, etc.

Inflação persistente: Mesmo com medidas de contenção, se houver choque de oferta (combustíveis, alimentos importados, problemas climáticos) ou de câmbio, a inflação pode ficar acima do esperado, obrigando manutenção de juros altos, o que por sua vez retarda crescimento.

Desigualdade e insegurança social: Embora haja avanços, o Brasil ainda convive com desigualdades marcantes e bolsões de pobreza. Se as políticas sociais não forem bem geridas, pode haver retrocessos ou sensação de que os ganhos econômicos não beneficiam a maioria da população, o que pode gerar instabilidade social.

Gestão política e corrupção: A eficiência do gasto público, transparência e controle serão decisivos. Escândalos, falhas na administração, ou decisões populistas que comprometam o equilíbrio fiscal poderão minar confiança e retardar progresso.

Nos próximos dois anos, o Brasil tem boas chances de estabilizar e avançar de forma moderada, consolidando alguns ganhos que já estão em curso. O crescimento econômico deverá continuar, provavelmente na faixa de 2,3%-3% ao ano, com inflação ainda acima da meta, mas com tendência de queda gradual, e juros altos permanecendo até que haja sinais convincentes de estabilidade.

Se reformas estruturais forem implementadas — tributária, aumento de produtividade, melhoria da infraestrutura, educação —, se o ambiente político se mantiver minimamente estável e com governabilidade razoável, e se choques externos forem gerenciados, então poderemos ver avanços mais robustos: melhoria no padrão de vida, redução de desigualdades, mais empregos formais, crescimento dos investimentos privados.

Por outro lado, os riscos são reais. Falta de reforma, descontrole fiscal, instabilidade política, inflação persistente ou choques externos podem comprometer esse cenário moderado, levando a crescimento abaixo do potencial, aumento da desigualdade ou piora do custo de vida para muitos.

Em resumo: o Brasil dos próximos dois anos pode ser um país em recuperação gradual – nem em crise nem em ótimo momento – mas com potencial para consolidar um caminho de melhoria, sobretudo se as escolhas feitas agora forem sábias.

Rui Lima
Economista e Empresário
Aracaju -Se 16 de setembro de 2025